| O Automobilismo Brasileiro está perdendo o foco? |
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| Escrito por Andrei Fonseca |
| Qui, 18 de Fevereiro de 2010 16:29 |
![]() Proposta do Carro do Corinthians na Stock Car Há quase duas semanas, o Corínthians (time paulista de futebol) anunciou uma iniciativa inédita no automobilismo brasilieiro. Eles serão o primeiro clube brasileiro a ter uma equipe na temporada da Stock Car, principal categoria das bandas de cá. Como está bem claro no anúncio oficial do site do clube paulistano, o objetivo é comemorar o centenário de existência do time nos gramados, sendo uma forma a mais de divulgar a marca do Corínthians e dar um entretenimento a mais para o seu torcedor. Tudo muito legal, tudo muito bonito, mas eu fico apreensivo com essa notícia, pra não dizer que tenho medo. Algo me diz que isso parece mais um tiro no escuro do que uma ação planejada em seus detalhes. Será que o público brasileiro está preparado para uma ação envolvendo duas das maiores paixões nacionais? Segundo Luis Paulo Rosenberg, diretor de Marketing do clube:
Muito belo achar que o amor de uma torcida por uma equipe de F1 surge numa única temporada, mesmo que se apoiando numa paixão anterior, oriunda de outro esporte. Porém esqueceram de considerar uma frase: "Racing, because soccer require only one ball" (frase esta que tem feito bastante sucesso na comunidade de simuladores de corrida). No automobilismo, não existe espaço para subjetividade ou sorte. Ganha quem é o melhor. E não é só o piloto que ganha ou perde. É a equipe toda. Aqui não existe bola na trave e torcida fazendo "uuuuulllll". O público que assiste as corridas de carro tem características muito diferentes daquele que assiste partidas de futebol. Não adianta nada trazer um time de futebol pra dentro do autódromo sem preparar este público para entender o que é o esporte a motor. Parece coisas simples, mas por exemplo, quem vai no estádio de futebol, vê o espetáculo (o campo) todo. Quem vai nos autódromos, pelo menos aqui no Brasil, não vê alguns trechos da pista. Assim, a forma de se acompanhar uma modalidade é completamente diferente e quem não está acostumado com corridas, fica sem entender nada. Como disse Ricardo Zonta, piloto do carro corinthiano, essa iniciativa é muito interessante para a categoria e atrairá muitos expectadores. O problema é que o brasileiro foi mal educado no acompanhamento das provas do esporte a motor. Já existe uma tendência natural do grande público torcer pelo piloto pensando que ele é o único responsável pelo rendimento do carro, quando na verdade ele é limitado pelo próprio veículo e capacidade e estrutura de sua equipe. Não me espantará caso o carro do Corínthians comece a não ter bons resultados e a torcida (acostumada com o futebol) começar a pedir a troca do piloto como se pede a troca de um atacante. Não que eu esteja torcendo pra que isso aconteça. Pelo contrário. Pra mim, não importa a categoria, quanto mais carros em condições de vitória houver, melhor. Mas quem está acostumado com o futebol, tende a pensar que nas corridas é da mesma forma. E nem precisamos ir muito longe. Se acompanharmos os principais fóruns de discussão na internet, veremos que muitos torcedores "entendidos" de automobilismo aplicam os mesmos pensamentos do futebol nas pistas e, lógico, só baguçam o entendimento do esporte. Será que o que realmente importa pro automobilismo brasileiro são números? O marketing no automobilismo tem muito mais a ver com agregação de valor do que divulgação da marca. O que será agregado a marca do Corínthians com uma ação dessa? Particularmente não conheço nenhum corintiano (e nem flamenguista) que acompanhe a equipe na Formula SuperLeague. Aliás, é até comum que alguns nem saibam que seus times tem representação no automobilismo. Os torcedores de futebol que acompanham a SuperLeague na verdade já são entusiastas do esporte a motor e, por coincidência, torcem pra um time que tem uma equipe na categoria. Não vejo de maneira animadora os possíveis resultados do Corínthians na Stock Car. A emissora que detém os direitos de transmissão o faz da forma como o melhor lhe convém. Portanto, exibição da marca na televisão já será comprometida. Os expectadores que vão aos autódromos são aqueles mais antenados na categoria. Fazer uma ação desse tipo é um verdadeiro tiro no escuro. Achar que o torcedor de futebol nato saberá se comportar frente a uma corrida de carros beira a inocência. Levará muito tempo até o torcedor de futebol compreender que automobilismo não é como o futebol. ![]() GP Mônaco de F1 e a Valorização das empresas E aqui vou fazer um paralelo ao texto de Felipe Paranhos, do portal Grande Prêmio, que abordou sobre as rotulações dos torcedores do automobilismo entre Massetes, Hamiltistas, Alonsetes, Barriquetes, Sennistas, Piquetistas e Schumachistas. Quem me conhece a mais tempo sabe que acho perda de tempo os torcedores idolatrarem seus pilotos prediletos. O que adianta torcer pro Piloto X vencer se ele é limitado pelo rendimento do seu carro e capacidade e estrutura de sua equipe. E quase sempre, as equipes não estão em pé de igualdade nas competições. Não é todo dia que vemos na vida real o que acontece nos filmes. Nesse ponto, os tifosis ferraristas são mais do que belos exemplos de torcida. Pra eles, não importa quem pilote os carros vermelhos. Se for um italiano, maravilha. Mas o importante é que a Scuderia Ferrari ganhe as provas e os campeonatos. Portanto, o Corínthians está seguindo um correto, porém de maneira equivocada. O esporte a motor brasileiro não precisa de números. Precisa de qualidade. Não questiono em si os torcedores do corínthians. Mas pra juntar duas paixões de maneira consistente, é necessário muito mais do que "criar" uma equipe de corrida com o brasão de um time de futebol. O trabalho de marketing esportivo com foco no esporte a motor no Brasil precisa ter um trabalho de conscientização do expectador. Os modelos aplicados a outros esportes não se adequam as características do automobilismo. Corridas de carro podem se tornar complexas demais para o entendimento do grande público. Por que a Nascar é o sucesso que é nos Estados Unidos? Pergunte para um torcedor norte-americano sobre qualquer regra ou característica da categoria e ele te responderá como um comentarista especializado. E se tu for buscar onde ele aprendeu sobre a categoria, ficará surpreso com o número de opções de mídias ao qual ele tem contato, indo das mais óbvias até as mais inusitadas. Logicamente que tendo a Nascar um método de disputa simplista perto de outras categorias, isso facilita bastante o entendimento do torcedor. E não é por acaso. A Nascar é o que é porque é exatamente o que o seu público quer ver. E como os norte-americanos estão anos-luz a nossa frente no quesito promoção, devíamos aprender com eles. Mas aprender não é copiar, como a grande maioria daqui tenta.
Ao longo do tempo, os promotores da Nascar, na busca por um público maior, ensinaram a maioria a gostar da categoria, adaptando onde foi necessário. Ou seja, não é empurrando guela a baixo que se aumentará o número de expectadores nas provas. Será que os corinthianos estão afim de ver corridas? Será que eles gostam? Posso garantir com quase certeza absoluta. No início será uma maravilha, como toda novidade, com bons retornos. Mas se a equipe não estiver brigando por algum título, logo os torcedores (de futebol) pedirão resultados impossíveis e (1) virarão as costas ou (2) terão um índice de rejeição indesejado. E o pior. Quem perde com isso é o automobilismo brasileiro, que é usado oportunamente e descartado tal como um autorama velho. Ou vocês acham que o Corinthians irá manter uma equipe na Stock Car por paixão ao esporte a motor como faz um certo Frank Williams?
E vocês, o que acham?- O Corínthians está fazendo a coisa certa ao botar um carro na Stock Car? - A Stock Car colherá bons frutos com iniciativa como esta? - Outros times podem seguir o Corínthians e trazer para as pistas as rivalidades dos gramados? - A adaptação dos torcedores entre as modalidades não será tão complicada?
É isso pessoal! Espero que tenham gostado e não deixem de dar seus pitacos também! Até semana que vem! |
Comentários
Realmente vc tem razão o automobilismo está perdendo o foco, misturar-se com futebol, aliás a Stock Car já era, virou telinha da Globo, o verdadeiro automobilismo aconteceu nos anos 60 a 80, mais o brasileiro apoia só o futebol que não acrescenta nada para o Pais, diferente das corridas de carros, que são um verdadeiro laboratório para as Industrias Automobilisticas, disso tudo o pior que é um Paranaense piloto desta Equipe que atira para todos os lados, estou falando como Piloto
Mais uma bola fora do "Timão" (timeco)... não sabem nem o que é futebol, e agora quer entender de corridas??? No Brasil, o esporte do "povão" é o futebol, corridas são para uma classe diferente, assim como o tennis, esportes de inverno, cada um tem o seu publico, não adianta misturar.. uma prova é a Formula Superliga, sem audiencia, sem patrocinio, com pilotos fracassados na carreira.
Isso é automobilismo, o publico é diferente, conversamos sobre decimos de segundos, desgaste de pneus, limite de giro, difusor, asa dianteira/traseira... e não sobre um neguinho (sentido figurado)que saiu da periferia, deu sorte na vida, foi pra europa ganhar dinheiro, arrumou um monte de filhos, casou 10 vezes e acabou a vida na cachaça.
Acho que não combina. Melhor seria se as grandes marcas de carros: Ford, Fiat, Chevrolet, Volks, Honda, Toyota, etc, fossem motivadas a apoiar mais o esporte a motor não apenas adesivando um carro com seus logos, mas produzindo motores e outras peças.
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