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Automobilismo Virtual está morrendo?

Nesta Temporada estamos com mais contato com os pilotos virtuais do iRacing. E para nossa surpresa, escutamos de alguns que o Automobilismo Virtual está morrendo. Logo daqueles que pilotam em uma das plataformas mais completas do mercado, o simulador com maior número de pilotos virtuais ativos. Estaria o Automobilismo Virtual morrendo?

Automobilismo Virtual é uma competição virtual que existe há menos de duas décadas. Nesse tempo, o crescimento para quem corre online desde o início é empolgante. Mas se compararmos com outros jogos eletrônicos mais recentes, também orientados à competição online, o Automobilismo Virtual parece uma carroça dividindo as pistas com os protótipos com motores híbridos.

E não é exagero. Vamos aos números!

O RaceRoom Racing Experience tem 3.233.750 cópias distribuídas e 34.089 (1% dos proprietários) jogaram uma média de 35 minutos nas últimas semanas. Já o Assetto Corsa tem 397.854 cópias e 71.415 (17% dos proprietários) jogaram uma média de 4h24 nas últimas semanas. O rFactor 2 tem 38.836 cópias e 10.356 (26% dos proprietários) jogaram uma média de 5h18 nas últimas semanas. Por fim, o Automobilista tem 28.480 cópias e 6.257 (21% dos proprietários) jogaram uma média de 4h nas últimas semanas.

O iRacing chegou a ter 119.879 pilotos cadastrados no 2º trimestre de 2016. No final do ano, eram 109.081 pilotos virtuais no simulador norte-americano. Entretanto, o iRacing vem numa crescente a cada Temporada. Em 2016, o número de pilotos cresceu quase 21%, saindo de pouco mais de 99 mil pilotos para quase 120 mil em 6 meses. No segundo semestre do ano, com o agravamento da crise econômica em diversos países e o consequente aumento do dólar, houve uma ligeira queda de 9%. De qualquer forma, atualmente são mais de 100 mil pilotos ativos no iRacing.

Considerando que os pilotos virtuais só possuem um dos simuladores citados (o que não é o caso), temos um universo de pouco mais de 220 mil pilotos virtuais ativos em diversos simuladores. Parece muito, mas não é!

O Dota 2 chega a ter 900 mil jogadores ativos por dia (!) online atualmente. Counter-Strike: Global Offensive tem quase 700 mil jogadores por dia (!!). E para nossa vergonha, League of Legends teve, ano passado, 40 milhões de jogadores ativos diariamente (!!!). 40 milhões de jogadores online todo dia! 40 milhões!

Ou seja, o total de pilotos virtuais corresponde a 0,5% da quantidade de jogadores diários do maior e-Sport. Se a gente colocar todas as plataformas de e-Sports que existe (Futebol Digital, Luta, etc), nossa representatividade mal chega a 0,01%. É um nada dentro do universo de e-Sports.

 

O Automobilismo Virtual é um natimorto?

 

Para início de conversa, o Automobilismo Virtual não compete diretamente com outros tipos de jogos. Cada modalidade tem seu ritmo de crescimento. Alguns jogos vigam, outros não. E no caso dos simuladores, originalmente orientados para jogadores mais hardcore, o crescimento é muito lento. Afinal, estamos falando de um nicho muito específico.

A crítica surgiu da tentativa das desenvolvedoras de popularizarem as corridas online por meio de jogos multiplataforma. A própria Simbin, uma das maiores desenvolvedoras de simuladores da história, anunciou recentemente o desenvolvimento do GTR 3 multiplataforma. Um simulador voltado tanto para pilotos virtuais hardcore como casuais.

Esses jogos “híbridos” trazem uma grande leva de pessoas que tiveram pouco ou nenhum contato com uma corrida real. E isso é ruim? Claro que não. Afinal, quem joga League of Legends nunca soltou fogo, gelo ou raios pelas mãos. Mesmo assim, as competições da Riot deram origem a verdadeiros especialistas de Mobas. A chegada de pessoas sem os preconceitos das corridas reais pode ser o caminho para a expansão do Automobilismo Virtual.

Particularmente lembro que quando começamos o 3Wide, sofremos muitas críticas por não seguir à risca com conceito de “100% Simulação”. Invés de promover eventos com simulação hardcore, sempre buscamos realizar eventos que gerem uma competição online equilibrada, atraente para quem está dentro e fora das pistas virtuais. É o que podemos fazer para estruturar o Automobilismo Virtual como um e-Sport.

 

Qual o caminho?

 

O que tem que morrer é a visão de que Automobilismo Virtual é simulação. Essa afirmação é equivalente a afirmar que Automobilismo é apenas Formula 1. Ou ainda que Automobilismo é apenas corridas em circuitos mistos, ignorando corridas em ovais ou com outros tipos de carro. Se Automobilismo é qualquer corrida de carro, Automobilismo Virtual é qualquer competição com jogos de corrida, sejam simuladores ou não. O fato de ter competições com Gran Turismo ou Forza 4 não exclui ou minimiza a importância de competições com Automobilista, Assetto Corsa ou iRacing.

Em suma, o Automobilismo Virtual não nasceu natimorto. Pelo contrário. Apenas estamos em marcha lenta devido ao pensamento fechado de uma grande parte dos pilotos virtuais que acham que fazem parte de algo grandioso, mas não passam de 0,01% das competições online.

Andrei Fonseca
Idealizar do 3WideClub.com, Coordenador de e-Sports focado em Automobilismo Virtual, assina a Simracer House semanalmente no FlatOut.com.br, analista de Marketing em Curitiba, entusiasta do automobilismo, sempre em busca de novos limites.

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